O poder do sangue II
O perdão dos pecados é uma das maiores demonstrações do amor de Deus pela humanidade. A cruz não foi apenas um acontecimento da história; foi a expressão máxima da graça divina. Quando Jesus Cristo deixou Sua glória, assumiu a forma de servo e caminhou até o Calvário, Ele carregou sobre Si a culpa, a vergonha e a condenação que pertenciam a nós. Ele se entregou por aqueles que O negariam, O abandonariam e até mesmo O crucificariam. Ainda assim, escolheu amar.
A Palavra de Deus nos revela algo extraordinário sobre esse perdão. Em Hebreus 10:17, o Senhor declara: “Dos seus pecados e das suas iniquidades não me lembrarei mais.” Não significa que Deus perde a capacidade de recordar, mas que, por causa do sacrifício perfeito de Cristo, Ele decide não trazer mais à conta aquilo que foi completamente pago na cruz.
É como o olhar de um pai para seu filho recém-nascido. Quando um pai contempla aquele pequeno ser em seus braços, seu coração é tomado por amor. Ele não vê erros, fracassos ou culpas; vê alguém profundamente amado. Mas o amor de Deus vai ainda além. Quando Deus olha para aqueles que foram redimidos, Ele vê a obra consumada de Seu Filho. Ele vê Jesus.
O Pai contempla Aquele que desceu da Sua glória, que foi obediente até a morte, e morte de cruz. Ele vê as mãos perfuradas, o sangue derramado, o preço pago por completo. E diante de um amor tão intenso, tão profundo e tão perfeito, não há acusação que permaneça de pé. Não há dívida que ainda precise ser cobrada. Não há pecado que não tenha sido alcançado pela graça.
Quando Deus olha para Cristo, Seu coração é preenchido pelo amor do Filho que Se entregou voluntariamente pelos pecadores. E quando Ele olha para aqueles que estão em Cristo, Ele os vê cobertos por essa mesma obra de redenção. O passado perde seu poder, a culpa perde sua voz e a condenação perde seu direito de acusar.
Nenhum homem seria capaz de esquecer por si mesmo as ofensas recebidas ou os erros cometidos. Nossa memória é limitada e muitas vezes marcada pela dor. Mas Deus, em Seu amor infinito, escolheu olhar para o sacrifício de Jesus e declarar que os pecados dos Seus filhos foram lançados tão longe quanto o Oriente está do Ocidente (Salmo 103:12). Foram lançados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19). Foram apagados pela graça do Cordeiro.
Esse é o poder do Evangelho: Deus olha para Seu Filho amado e, por causa dEle, não se lembra mais dos nossos pecados. É um olhar carregado de amor intenso, eterno e imutável. Um amor que venceu a cruz, derrotou a morte e abriu o caminho para que todo aquele que crê possa viver em paz com Deus, não como um condenado tentando se justificar, mas como um filho amado, recebido pelos méritos de Jesus Cristo.
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